Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
“Poesia é voar fora da asa.” No livro Memórias inventadas. As Infâncias de Manoel de Barros, São Paulo: Planeta do Brasil, 2010. p. 47.
Respostas de 3
…. e como é bom pensar a invencionática na Educação em Rede. Podemos , como o poeta Manoel de Barros, “… voar fora da asa”
Robson, boa relação, é isso mesmo! abs.
Republicou isso em Prof. Fernando S. Dantas.