Enrique Dussel -reconhecido por seu trabalho no campo da Ética, da Filosofia Política e da Filosofia da América Latina – traz contribuições importantes ao pensamento latino-americano, em especial quando nos debruçamos sobre a reinterpretação da história como pressuposto libertador da condição de colonialidade. O papel da América Latina nas relações mundiais como um todo pode ser ressignificado de acordo com os escritos dusselianos.
A convite do Prof. Dr. Antonio Severino, o Prof. Dr. Daniel Pansarelli esteve presente junto ao GRUPEFE, na última semana, debatendo sobre o pensamento de Dussel com os integrantes do PPGE. Autor de trabalhos sobre o pensamento latino-americano, Pansarelli traz à tona questões que caminham entre a filosofia e a educação, em especial aquelas que dizem repeito à originalidade do pensamento ligada à condição sócio-cultural em que é desenvolvido.

Entre diversas temáticas pelas quais o pensamento dusseliano caminha, sempre com foco no desenvolvimento de uma filosofia libertadora na América Latina, considera que para que seja de libertação deve estar associada com realizações e contribuir com a realidade e com o questionamento sobre quem é o outro da relação, quem é o excluído do pensamento que está sendo elaborado.
A aceitação quase irrestrita pela cultura brasileira do pensamento estrangeiro também foi lembrada e criticada. Pansarelli aponta que no Brasil, mais até do que nos outros países latino-americanos, existe uma grande dificuldade de percepção da própria sociedade sobre quanto o pensamento nacional ainda é colonizado. A reflexão crítica, a partir da academia mas que se multiplique pela sociedade, é indicada como a maneira mais concreta de lidar com esta questão. O pensamento que parte do real, e não do teórico, tem mais possibilidades de se converter em uma filosofia libertadora.
O pesquisador nos alerta ainda sobre a necessidade de se fazer filosofia para além de interpretá-la. O desenvolvimento do pensamento original, baseado no contexto da realidade da América Colonizada, se faz imprescindível neste movimento contra a opressão. Ainda que haja uma grande importância no estudo das teorias clássicas e dos pensadores contemporâneos – em especial os latino-americanos – é crucial que haja produção de novo conhecimento, relevante e original, pelos acadêmicos pesquisadores e pós-graduandos, os funcionários do conhecimento que têm como obrigação participar da construção coletiva do conhecimento.
Uma resposta
Alessandra, muito oportuno o debate com os estudantes acerca da filosofia de Dussel, ele também nos aproxima do outro na condição de amor, de diálogo e de ética na åmérica Latina (necessários para a descolonização). Abçs, Marvi