
Cartografia pedagógica. Nestes dias, teve início a campanha eleitoral no Brasil para a escolha de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), a propaganda eleitoral está autorizada desde 16 de agosto de 2026, e o primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Um total de 158.745.463 eleitores está apto a votar.
Nesse contexto, lembramos da rosa dos ventos* e nos perguntamos para onde nos levam os ventos no cenário nacional e internacional, especialmente no âmbito da educação.
Sem dúvida, o potencial do Brasil é enorme. Mas, diante das eleições, também cabe nos perguntar quais políticas e ações serão consideradas para transformar esse potencial em uma educação pública de qualidade.
É justamente essa inquietação que motiva nossa reflexão. Partimos das contribuições, especialmente de Educação em rede: uma visão emancipadora e Pedagogia da virtualidade, para pensar a educação como espaço de diálogo, participação, criação e transformação. Na perspectiva da autora da obra, a educação em rede não se reduz ao uso de tecnologias, implica repensar as relações educativas, a produção e circulação do conhecimento e as possibilidades de uma aprendizagem dialógica, emancipadora e rizomática.
A Pedagogia da virtualidade nos ajuda, assim, a olhar para as tecnologias e para as redes de maneira crítica, compreendendo seu potencial educativo sem submetê-las a determinismos tecnológicos. A rede pode constituir um território de encontros, produção de sentidos, colaboração e aprendizagem, sustentado pela educação popular, pela mediação e pelo conceito de rizoma. (ResearchGate).
Na segunda edição de Educação em rede: uma visão emancipadora (Cortez, 2025), essa perspectiva é ampliada para os desafios contemporâneos, incluindo as redes educativas rizomáticas, a cultura digital, a avaliação formativa, a inteligência artificial e a necessidade de uma educação que preserve a pesquisa, a sensibilidade, a arte, a solidariedade e a ética. (Livros)
É a partir desse horizonte que propomos a rosa dos ventos como metáfora para conceituar as políticas educacionais. E, pensar: Quais são as orientações e os investimentos que o Brasil e outros países vêm realizando? Que experiências podem nos ajudar a pensar novos caminhos? Como reorientar o país rumo, especialmente, a uma educação pública de qualidade, democrática, inclusiva e socialmente pertinente?
A rosa dos ventos, portanto, não pretende indicar um único caminho. Ela abre uma cartografia de possibilidades.
Rosa dos ventos, rede e rizoma
É aqui que estabelecemos uma aproximação com o conceito de rizoma, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Em vez de uma estrutura única, centralizada e hierárquica, o rizoma nos permite pensar por meio de multiplicidades, conexões e diferentes pontos de entrada e saída.
A rede pode ser compreendida como espaço de conexões e produção coletiva, no qual diferentes sujeitos, saberes e experiências se encontram e podem criar novos percursos.
Assim, a rosa dos ventos pode deixar de ser apenas uma representação de direções geográficas para tornar-se uma cartografia pedagógica e política.
Não se trata de escolher simplesmente um ponto cardeal, mas de reconhecer que existem múltiplos caminhos, experiências e possibilidades. Alguns caminhos podem convergir; outros podem divergir. Alguns podem ser interrompidos; outros podem abrir novas possibilidades.
Essa é a dimensão rizomática que queremos colocar em diálogo com a educação, não há um único caminho para transformar a educação, mas múltiplas conexões que precisam ser compreendidas, problematizadas e construídas coletivamente.
Por isso, esta rosa dos ventos é um convite à reflexão e ao questionamento: Que ventos queremos seguir? Que políticas e investimentos queremos fortalecer? Que experiências de outros países podemos conhecer criticamente, sem simplesmente importá-las? Que conexões podemos construir entre educação, cultura, tecnologia, ciência, território e participação social?
E, sobretudo, que educação pública queremos para o Brasil?
Talvez a questão não seja apenas para onde os ventos nos levam, mas como, coletivamente, podemos reorientar e produzir novos ventos, novas conexões e novos caminhos.
E é nesse movimento que situamos nossa reflexão, não como receitas prontas para indicar um único caminho, mas como referências para problematizar o presente, imaginar possibilidades e construir coletivamente outros modos de educar.
A Rosa dos Ventos Rizomática buscará cartografar, para compartilhar e publicar, o que cada projeto político propõe para a educação, identificando as diferentes direções apontadas por essas propostas e analisando seus possíveis nexos, aproximações e tensões com uma concepção de Educação em Rede, emancipadora e rizomática.
Nessa cartografia, buscamos reconhecer os sujeitos históricos, suas vozes, experiências e territórios, compreendendo a educação como espaço de construção da cidadania, da participação democrática. Com o apoio da IA, realizaremos a cartografia e a sistematização dos programas, reconhecendo, entretanto, que a interpretação pedagógica e política permanece como um exercício crítico, dialógico e coletivo. Assim, a IA será uma ferramenta de apoio à leitura e à organização das informações, enquanto a pesquisa, a reflexão sobre os sentidos, as escolhas e os rumos da educação permanecerá aberta à participação dos sujeitos e à construção coletiva de uma educação pública de qualidade, comprometida com a cidadania e a soberania.
*Nota: Rosa dos Ventos Rizomática. A rosa dos ventos é uma representação gráfica das direções no espaço, utilizada na navegação e na cartografia. Nesta proposta, ela é ressignificada como metáfora e dispositivo conceitual para cartografar, em uma perspectiva rizomática, múltiplas direções, conexões e possibilidades dos projetos.
Infográfico, intitulado Rosa dos Ventos da Educação. Potências, Desafios e Modelos Educacionais, utiliza a metáfora cartográfica dos pontos cardeais e colaterais para pensar, mapear possíveis e diferentes experiências, perspectivas e propostas educacionais no contexto global, funcionando como uma bússola para refletir sobre os rumos da educação no século XXI. Cada direção da rosa dos ventos representa uma orientação ou foco estratégico identificado em diferentes países, reunindo experiências de nações com distintas trajetórias educacionais e contemplando, de modo particular, o sistema brasileiro.
Conferir nas Referências
Gomez, Margarita Victoria. Educação em rede: uma visão emancipadora. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2025. (Google Livros)
________. Pedagogia da virtualidade: redes, cultura digital e educação. São Paulo: Loyola, 2015. (ResearchGate)
Deleuze Gilles; Guattari, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Especialmente a introdução “Rizoma”.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
OECD. Education at a Glance 2025.
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE). Eleições 2026: calendário eleitoral e informações oficiais. Brasília: TSE, 2026. Calendário Eleitoral 2026 — Tribunal Superior Eleitoral.
TSE. Propostas dos candidatos. Eleições 2026.
UNESCO. Global Education Monitoring Report 2026: Access and Equity