
Na educação e na pedagogia que propomos aqui, não se trata de empobrecer a multiplicidade, mas de impedir que ela seja reduzida a uma unidade central.
Essa perspectiva se conecta a “Mil Platôs” (Deleuze e Guattari), pois uma multiplicidade não se define pelos elementos, mas pelo que eles conectam, variam e transformam. As diferenças coexistem, divergem e se reinventam, sem precisar formar um todo coerente.
Paulo Freire nos lembra que educar é um ato político de libertação, e que a educação bancária, ao depositar conteúdos, é justamente a tentativa de engessar essa multiplicidade num único molde.
Na pedagogia da virtualidade e na educação em rede, o problema não é escolher entre o Um e o rizoma, é operar para que o Um não se reconstitua dentro da rede, e que a palavra, o diálogo e a autonomia não sejam engolidos pela lógica da padronização / mercantilização.
E o Um aparece no currículo fechado, nas plataformas centralizadoras, no professor como fonte única de sentido, nos algoritmos que hierarquizam, na avaliação padronizada, na narrativa única do que é aprender certo.
A aposta é, e Freire já anunciava, a ousadia de pensar e fazer uma educação problematizadora, que incorpore a diferença, a escuta das vozes e resista ao centro.
Na sua prática, o que se produz no lugar da restauração de um centro, conforme a perspectiva aqui apresentada?
Ref. Educação em rede: uma visão emancipadora.