O vídeo A Revolução Virtual – Homo Interneticus? nos remete á realidade e a uma reflexão relacionada com os textos de Michel Serres, Pierre Levy, Paulo Freire e Gomez, já discutidos. A internet, a rede e a trama que vamos tecendo tem potencial para o compartilhamento do pensamento humano, a inteligência coletiva, distribuida. A cibercultura reformula a visão de mundo e ao compreender o outro, o homem e a mulher repensam o processo de aprendizagem.
O conceito do que é virtual é revisitado e ainda nos questionamos: extensão ou comunicação? Técnica ou pedagogia? Prolongações e proximidades? Em seguida, podemos indagar com Levy: “Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com esses novos processos de conhecimento?
Continuamos por aqui…
Referências
The Virtual Revolution/Homo Interneticus? directed by Molly Milton, presented by Aleks Krotoski (GB 2010, 60′).
-http://www.docspt.com/index.php?topic=20516.0 (Versão em português)
-https://www.youtube.com/watch?v=r7T4G8rJR7I
Respostas de 9
muito atual e interessante
A resposta à questão: “Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com os novos processos de transação de conhecimento mediatizados pelas novas mídias”, certamente não é uma resposta fácil.
A rede transformou todos os aspectos de nossas vidas, e a educação é um desses lugares que foi largamente afetado. Já não é mais possível falar em uma aula sem que possamos nos remeter ou pensar sobre na internet, que na maioria das vezes é muito mais atrativa para as crianças e os jovens do que uma aula tradicionalmente conduzida pelo professor. Como no vídeo que pudemos observar, na Coreia, por exemplo, as crianças chegam a ficar 18 horas por dia conectadas. Logicamente, esse fato afeta as relações sociais desses indivíduos. Trazê-la para o mundo dito real, muitas vezes é complicado, porque o apelo imagético e auditivo da internet é grande e na maioria das vezes concorre desigualmente com os professores, que têm nas mãos o que? Um giz e uma lousa? Na internet as pessoas podem se comunicar, saber da vida de outras pessoas, interagir, enfim, fazer tudo aquilo que lhe apraz e sem precisar sair de casa. O que a escola pode oferecer na vida desses indivíduos fora do espaço dito virtual?
Um dos caminhos que podemos refletir é não tentar separar a vida humana, mas entendê-la em microsituações, ou seja, extensões das possíveis interações que as pessoas podem fazer cotidianamente. Nesse sentido, cabe à escola, na visão Freiriana, dialogar com esses contextos, trazê-los para a escola, porque tudo aquilo que é importante na vida, deve ser revisado pela escola como uma transposição didática passível de questionamento e reflexão.
Daniela, A sua reflexão me remete imediatamente ao sujeito pedagógico, o sujeito da práxis, das microsituações, diverso, heterogêneo, que busca, indaga, reflete na interação com a cultura e os signos de seu tempo, com o seu mundo próximo e mais longínquo. E, ainda a escola é o espaço principal de interações, socialização e cidadania. Por outro lado, a transação de conhecimento, me remete a alguma coisa voltada para um tipo de negocio na educação; concessões e ajustes para uma realização, ou para uma sequencia de operações numa base de dados ou ainda a outra ideia de Levy: “O saber-fluxo, o saber-transação de conhecimento, as novas tecnologias da inteligência individual e coletiva estão modificando profundamente os dados do problema da educação e da formação.” (Levy P. Cibercultura. 2a ed. São Paulo: Ed.34; 2000.) …Continuaremos indagando, de que maneira, com que estratégias os estudantes e os professores circulam neste novo território.Vale a pena indagar um pouco mais ….Um abraço,
Daniela, concordo com suas colocações e certamente a questão: “Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com os novos processos de transação de conhecimento mediatizados pelas novas mídias”, é deveras desafiadora. Refletir sobre a realidade educacional presente no cotidiano da escola publica no Brasil no contexto das TICs é um exercício necessário a todos nós envolvidos com ou “enamorados” da educação enquanto ação transformadora de realidades, de mundos, educação como prática de liberdade como preconizou Paulo Freire.
Na Obra Extensão ou Comunicação, FREIRE ( 1983) analisa com profundidade o processo de formação dos camponeses em agronomia, esmiúça o conceito de extensão definindo-o como ação de persuasão, domesticação dos trabalhadores rurais, sem questionamento das técnicas de plantio transmitidas, sem que os mesmos pudessem questioná-las, tornando-os ainda mais objetos da propaganda. Vejamos: ” Nem aos camponeses, nem a ninguém, se persuade ou se submete à fôrça mítica da propaganda, quando se tem uma opção libertadora. Neste caso, aos homens se lhes problematiza sua situação concreta, objetiva, real, para que, captando-a crìticamente, atuem também crìticamente, sôbre ela. ( …) Não lhe cabe portanto, de uma perspectiva realmente humanista, estender suas técnicas, entregá-las, prescrevê-las; não lhe cabe persuadir nem fazer dos camponeses o papel em branco para sua propaganda. Como educador, se recusa a “domesticação” dos homens, sua tarefa corresponde ao conceito de comunicação, não ao de extensão.”
A escola pública e a comunidade que diariamente transita em seu universo precisa em sua caminhada na construção do processo pedagógico apropriar-se cada vez mais do potencial disponibilizado pelas tecnologias da comunicação sem no entanto privar tanto educadores quanto educandos de serem sujeitos das ações de formação e desenvolvimento necessárias a transformação de mundos. Extensão ou comunicação? o autor responde: Comunicação! A cibercultura nos revela não só o potencial das tecnologias da comunicação como também enfatiza o papel da cultura que molda educadores e educandos na apropriação da internet e das mídias, como instrumento de formação e leitura de mundos. Talvez seja necessário desencadearmos varias ações para que isto se materialize! Blogs, pesquisas educacionais e ações de mediação da prática pedagógica, como propõe o Programa de Mestrado Profissional em Gestão e Praticas Educacionais da UNINOVE. Programa estruturado a partir do legado de Paulo Freire que prevê ações de pesquisa e intervenção em educação sob a perspectiva de Freire.
O cerne da discussão, a meu ver, está no entendimento da realidade de cada um. Vivemos num período de transições aceleradas, e muitas vezes o conceito de atualidade fica inacabado em meio a tantas mudanças… A questão da educação para as mídias parece complexa muitas vezes porque, para muitos educadores, trata da inclusão de novos meios e formatos à realidade escolar. Entretanto, precisamos nos atentar: as mídias fazem parte da realidade do aluno de hoje, não é uma questão de inserção de novos formatos mas sim de trazer formatos comuns à comunicação de crianças e jovens no cotidiano para dentro dos muros da escola! Talvez a questão não gravite em torno do “atualizar” a escola, mas de torná-la, de fato, possível e compreensível ao aluno que interage com o mundo de forma midiática – 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Paulo Freire, de forma inspiradora, aponta a capacidade da leitura de mundo como resultado da educação que propicia autonomia, e ensinar a ler o mundo significa considerar, dentro da escola, as coisas do mundo: as coisas da televisão, da internet, do web rádio etc. Já dizia Clarice Lispector, para lidar com a juventude precisamos ser jovens, e esta é uma realidade que aqueles que se propõe a educar – e principalmente a pensar e legislar a educação – terão de enfrentar.
Maior agilidade na seleção de informações que desencadeia no aumento de conexões cerebrais trazidos pelos múltiplos estímulos, processo acelerado na tomada de decisões… Nós, professores devemos repensar nossa prática escolar, pois não podemos ser meros fornecedores de informações (até porque a mídia é quem desempenha esse papel), ao contrário, devemos ensinar nossos educandos a darem significado a elas e à sua aprendizagem.
Nosso papel é o de mediar os processos de aprendizagens, proporcionar autonomia, criar estratégias didáticas que ofereçam desafios. A sociedade está mergulhada, mas não sabe o que fazer tanta informação oferecida. É necessário aprender como organizar, estruturar as informações que colhem de forma que as (re)construam-nas como conhecimento.
É sempre bom lembrar que não é a tecnologia que ensina. Essa é a tarefa do professor. Ela oferece novas possibilidades. E nós, professores, devemos seguir problematizando, instigando auxiliando o educando na construção seu conhecimento, na interação com os demais e também com várias fontes de informação.
Denise, temos de trazer para a prática o que você propõe, ou seja, é preciso que cada educador realize com suas turmas um levantamento das interações midiáticas que estes estão fazendo e dentro de um projeto mais amplo na escola desenvolver no coletivo reflexões sobre a forma como estão postas as interações dos alunos com as redes sociais e a mídia em geral. Inserir o debate no cotidiano das aulas e projetos educacionais, sem dúvida acrescentará muito ao projeto pedagógico da escola, dando sentido as ações do processo educativo.
Já comecei a minha microrevolução, passando esse vídeo do Homo Interneticus para meus alunos do 9o Ano e explanando com eles os assuntos abordados no vídeo.
A técnica tem um potencial libertador e recusa uma concepção única, já que como ação criadora do homem sempre esteve presente na humanidade, o problema é … (Álvaro Vieira Pinto, apud Gomez 2008)