A “pedagogia da virtualidade” faz rizoma com a pedagogia freiriana [em diversas dimensões], pois o caráter específico dessas pedagogias expressa-se no ético, estético, político, antropológico, filosófico, epistemológico, na busca de reinventar a prática educativa.
Levando em consideração essas dimensões, toma distância dos determinismos teóricos ou tecnológicos e reconhece sua possibilidade ao discutir suas condições de operar criticamente. Dessa maneira, faz conexão com a “pedagogia da Terra” e a “cidadania planetária”, pois estas também consideram a Terra como a única comunidade.
Essa pedagogia também será feita num processo de várias dimensões e, como um meio expressivo, vai constituir a trama, no sentido freiriano. Assim, a geração planetária virtual estará na rede para fazê-la operar, também, por meio de conexões educativas. Os cursos operariam como círculos de cultura e fariam conexão com outros. O mediador do círculo levaria o aluno a pensar, a gerar novas ideias, a conhecer e se envolver com os outros no mundo virtual a partir de alguns princípios.
Pelo princípio de conexão e de heterogeneidade, o educador: freiriano é o eterno andarilho da utopia, do saber e do conhecimento: em busca de si, do outro e do mundo. E, por ser inacabado, assume essa posição ética-estética também para conhecer. Ele não é, ele está sendo, e a única posição identificada é sua situacionalidade no mundo; ele não reconhece princípio, meio ou fim determinado porque trabalha na heterogeneidade, na e com as diferenças, superando uma dialética que sintetiza os opostos e assumindo a alteridade radical.
Os educadores conectivos ligam um círculo de cultura a qualquer outro, para dar consistência à multiplicidade. Pelo princípio de multiplicidade, as práticas freirianas têm derivações que procedem pelo inédito viável, o qual permite caminhos insuspeitos. Quanto mais são as conexões ou os entrelaçamentos mais se torna indiscernível e heterogêneo o processo. A retícula é a parte exterior das multiplicidades. […]…a pedagogia da virtualidade, resultado da práxis educativa na esfera virtual, nos permite retomar a proposta freiriana em nova territorialidade, mantendo, na esfera digital, o sentido mais profundo da ação educativa, que é o da solidariedade humana.”*
Ainda, esta proposta pedagógica em construção coloca em pauta a pertinência da mediação, do desenho participativo e do sujeito como aspectos a serem considerados no projeto pedagógico da instituição virtual, além das questões metodológicas e da avaliação. Conforme Romo et.al esta pedagogia “está apoiada na apropriação tecnológica em razão dos princípios da educação popular [rizomatica], que objetiva o encaminhamento para a conformação de uma sociedade [educação] aberta e democrática que, por sua vez, deve sustentar-se na ética e na vontade política dos sujeitos.”
Certamente não é uma educação neutra, pois busca através do conhecimento a crítica, a criatividade e a ação transformadora. Além disso, promove a aprendizagem utilizando dispositivos e metodologias que acolhem a heterogeneidade, promovem a conexão, as multiplicidades, as rupturas a partir das quais recria as praticas pedagógicas. A democratização do acesso á cultura digital presente no nosso cotidiano é fundamental.
Com este breve trecho do livro Educação em rede: uma visão emancipadora* de Margarita V Gomez, queremos abrir mais uma linha de fuga para o nosso debate que continuará por aqui e em outros lugares além da sala de aula.
Referências
LIMA, Maria Estela Araujo de Rizoma e educação Publicado em 03/01/2013
*GOMEZ, Margarita Victoria. Educação em Rede – Uma visão emancipadora. São Paulo: Cortez, 2004 (Instituto Paulo Freire – Guia da escola cidadã, v. 11)
_____Educador/a Fazendo Rizoma na Rede.
TORRES, Ricardo Romo; CASTANEDA, Manuel Moreno and AGUIRRE, Maria del Sol Orozco. Resenha. Educação em rede: uma visão emancipadora. Rev. Bras. Educ. [online]. 2006, vol.11, n.31, pp. 191-193.

Respostas de 3
Sinceramente, eu entrei aqui no site para fazer um comentário sobre este texto mas eu o achei tão bem escrito e detalhado no pensamento e agir freireano que não sei nem o que eu poderia acrescer com minhas palavras! Parabéns à autora do texto!