Haiti: Porto Príncipe como espaço de exclusão

Foto por Kelly em Pexels.com

Acabei de ler o livro Haiti: Porto Príncipe como espaço de exclução (2022) de autoria do geografo haitiano radicado no Brasil Ismane Desrosiers, lançado recentemente na FFLCH/USP. A narrativa do autor é muito esclarecedora da situação haitiana pós-terremoto de 2010 que matou ca. de 200 mil pessoas e afetou milhões. A situação da capital, Porto Príncipe, maior cidade de Haiti, situada próxima ao epicentro do terremoto, é apresentada pelo autor, que narra, a partir de vivencias e pesquisas o delicado e sensível tema da exclusão social e espacial, uma realidade tão próxima e por vezes tão desconhecida para nós leitores.

O Haiti, localizado no Caribe, foi o primeiro país ocidental que se libertou da escravidão e também o primeiro a se independizar na América. Por isso, pagou, por mais de cem anos, uma indenização exorbitante para a França colonizadora. Conforme o autor, Haiti pode ser considerado o primeiro laboratório de experimentação de sanções diplomáticas e econômicas das grandes potencias ocidentais, eficazes em destruir projetos, arruinar economias e sociedades que não se submetem aos interesses capitalistas.

A reconstrução do país e a requalificação urbana de Porto Príncipe ainda está em um impasse, pois sofre com financiamento insuficiente para as obras públicas, a corrupção, e a desigualdade sócio espacial que fortalecem a exclusão social.

Desrosiers considera que o território é um recurso de inestimável riqueza, mas também de domínio estrangeiro. A partir das denuncias apresentadas pelo autor percebe-se que pós-terremoto a situação excludente persiste, e que o traçado da cidade e o levantamento de prédios segue a lógica do Plano Diretor do colonizador.

Todas as mazelas são reavivadas na reconstrução do país que mantem a desigualdade territorial, a concentração urbana, a corrupção, a ingerência estrangeira e a pobreza extrema. Isso de acordo o autor, com a observação de organismos internacionais e outros atores da sociedade, ou seja, com certa solidariedade entre as potencias (pós) colonialistas e depredadoras.

Pergunto-me, se é possível recuperar um país sem levar em consideração a cultura do povo e uma educação pública de qualidade? Até que ponto o sistema de educação de um país poderia contribuir com uma sociedade menos desigual e discriminatória como essa? O sistema de comunicação e de educação não é o foco do texto, mas revela uma realidade na qual a cultura, a educação, a saúde e a tecnologia digital devem ser protagonistas do projeto ainda em início e previstas no Plano Diretor.

Então, a partir da geografia crítica, o autor do livro deixa pistas para pensar e compreender mais as origens e a manutenção da exclusão e da desigualdade. Ainda pensando nesse livro procurarei responder às perguntas que me foram suscitadas e, especialmente, pensando forte para que a consciência coletiva se fortaleça bem como a dignidade e as condições de vida dos haitianos, com a valiosa contribuição de Ismane Desrosiers.

Sumário Haiti I. Desrosiers

Livro: Desrosiers,  Ismane. Haiti: Porto Príncipe como espaço de exclusão. Curitiba: Appris, 2022. Breve resenha de: Profa. Margarita Victoria Gomez.

 

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