A neuroeducação é um tema atual no debate pedagógico. Na sexta-feira, 4/4/14, assistimos à palestra da Dra. Miriam Reiner, do Instituto Israelita de Tecnologia, Haifa, Israel. Ela nos apresentou algumas novidades e deixou muitos questionamentos. A seguir, registramos algumas anotações que nos vêm à memória.
A palestra Learning and the Brain: Emerging Brain-Based Communication Technology questionou o fato de que o aprendizado tradicional não se fundamenta em pesquisas sobre o funcionamento do cérebro para uma boa aprendizagem. Ficou claro que, no processo de aprender, é necessário estudar a relação entre neurociência e educação.
A neurociência estuda o funcionamento do sistema nervoso, cujo objeto principal é o cérebro. Aparentemente, a partir da biologia e da interface cérebro-computador, pode-se medir a capacidade cerebral utilizando eletrodos. Memória, percepção e fala estiveram em foco durante o debate.
A Dra. Reiner comentou mudanças nas direções da pesquisa e destacou o considerável investimento da União Europeia nesse campo. Os avanços das pesquisas sobre o cérebro contribuem para um novo design educacional, utilizando tecnologias emergentes.
A pesquisadora estuda adultos voluntários, já que a comunidade europeia não permite pesquisas com crianças pequenas. Ela também não trabalha com pessoas cegas. Alguns questionamentos levantados, que permanecem para futuras reflexões, são:
De que sujeito estamos falando? Sujeitos adultos voluntários; sujeito biológico? Psicossocial?
Qual o propósito da pesquisa? Qual o método? Como funciona o método de telepresença?
Que tecnologias sustentam as práticas neurocientíficas na educação?
Qual a particularidade das redes neurais?
Qual a contribuição da neurociência para a aprendizagem? Consolidação da memória?
Quais transtornos podem ser tratados? Como?
Passaremos das estatísticas educacionais para a neurociência?
Que pedagogia sustenta essas práticas educacionais? A pedagogia da virtualidade poderia contribuir?
Que autores brasileiros (como Miguel Nicolelis, do Instituto Internacional de Neurociência, entre outros) podem colaborar nesse debate?
Como ocorrerá a formação do professor, tradicionalmente fundamentada em teorias psicológicas, se agora se orienta também pelas ciências “exatas” ou biológicas?
Há diálogo entre neuroeducação e IA (inteligência artificial)?
Utiliza-se essa abordagem na Educação a Distância (EaD)?
É muito caro implementar? E como ficam as classes menos favorecidas?
As potencialidades e os questionamentos sociais e educacionais nos provocam a conhecer e estudar o tema; a investigar se essas práticas neurocientíficas estarão voltadas à democratização da educação; e a refletir sobre se as empresas de tecnologia e software utilizarão essas pesquisas para lucrar e monopolizar ainda mais o setor. Enfim, esperamos que educadores e cientistas se motivem e deem continuidade a essas indagações iniciais!

Respostas de 9
A questão da neurociência e os atuais avanços em que se encontram as pesquisas sobre o tema é sem dúvida muito interessante e um desafio a mais para nós educadores questionadores da escola que temos e as praticas pedagógicas que marcam o cotidiano do processo educacional, sobretudo nas escolas pública que atende majoritariamente a população oriunda das camadas sociais historicamente excluída. Sugiro que busquemos – nós integrantes e participantes desta rede – Pedagogia da Virtualidade – informações ao menos em âmbito nacional sobre a “quantas estamos” do ponto de vista do desenvolvimento das pesquisas bem como das proposições e alternativas que estão sendo criadas para potencializar as contribuições desta área do conhecimento, visando ampliar o acesso e contribuir para uma educação emancipadora.
Em outubro passado participei do Congresso de Educação do Sinpeem( Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal) no Anhembi e o tema neurociência integrou a pauta de debates e palestras pela terceira vez consecutiva neste evento dos educadores da rede municipal de São Paulo, que ocorre anualmente, reunindo aproximadamente quatro mil educadores. Neste evento educativo , pudemos observar que o interesse é grande entre os educadores pelo tema, dado a inovação e perspectiva oferecida por este ramo do conhecimento. A neurociência é uma área de pesquisa promissora e sem duvida precisamos estar atentos e acompanhar este processo e respectivas inovações com esmero, visando agregar valores e possibilidades ao trabalho que realizamos como educadores.
Regina, obrigada pelo comentário. É muito bom saber que o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal está atento no tema neurociência. Parece que já ofereceu vários cursos sobre o assunto, ou seja, a pauta de debates está bastante atualizada. Os educadores da rede municipal de São Paulo podem aproveitar. Fiquei curiosa por saber da proposta e das temáticas dos cursos.
Abraço.
Marvi
Professora Margarita,
É gratificante saber que não “estamos falando sozinhos”, ou seja o prazer é meu em poder ver neste Fórum – Pedagogia da Virtualidade este aspecto do debate que aponta para o futuro em relação aos recursos que a Neurociência disponibilizará a educação e o processo de ensino e aprendizagem. Quanto aos temas abordados ao menos no ultimo Evento – 24º Congresso de educação do Sinpeem, vou rever anotações e material do encontro e assim que possível socializarei com todos desta nossa Rede. Ok. Abraço,
Regina.
outra ref.
Nick Brown – http://www.gurdon.cam.ac.uk/research/brown
A neurociência pode influenciar o design da Educação, utilizando novas tecnologias para consolidação do aprendizado através do método de telepresença, ou seja, o transporte virtual do professor para uma sala remota.
Esse método permite ao aluno, tomada de decisões, interação com outras pessoas, com objetos e permite ao mesmo tempo ser analisado pelo pesquisador através do que acontece dentro de seu cérebro (esses alunos voluntários utilizam um capacete com eletrodos, pequenos pedaços de metais que permite essa análise). E através dessa análise criar modelos de ambientes e atividades para o aprendizado e consolidação da memória.
Estudos revolucionários como esses podem auxiliar no tratamento de doenças como câncer cerebral, esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer.
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/tecnologia_pode_ajudar_a_ter_sonhos_lucidos.html
Olá, gostei da sua contribuição pois nos apresenta elementos importantes e nos provoca a pensar e a procurar saber, nessa relação neurociência e educação, o lugar do desgin nas teorias curriculares e nas teorias de aprendizagem. E, ainda, nos apresenta mais um link para obter informações para o nosso debate. Abraços,
Esta ótima palestra da Dra. Miriam Reiner nos faz refletir como as tecnologias da neurociência podem ser aplicadas na educação. A seguir, um resumo do valioso conteúdo:
Se olharmos os estudos tradicionais sobre o cérebro, veremos que ainda não se sabe muito sobre como o cérebro funciona, mas nos dias de hoje, muitas pessoas usam a neurociência como pesquisa. Existem muitos investimentos e estudos sobre o aprendizado e melhorias estão sendo encontradas na neurociência nos avanços da educação. Vou dar exemplos de como alterar o desenho da educação, emergindo em novas tecnologias. Alguns dos meus estudantes fazem trabalhos de pesquisas na área de neuro educação:
1) A tele presença – o transporte do professor, humano para um lugar remoto
2) Como aprimorar a memória
3) E por último, integrar as 2 coisas.
A ideia é trabalhar com um ambiente virtual que crie projeções. Como por exemplo, o estudo dos planetas: não temos como trazê-los para a sala de aula, mas podemos interagir com eles através do mundo virtual 3D. Imagine os objetos virtuais interagindo em sua aula, podendo fazer com que as pessoas analisem este objeto como se fosse real. Analisando o cérebro, podemos criar um modelo entre as atividades cerebrais e a partir daí, descobrir o melhor aprendizado.
A técnica é feita, inicialmente inserindo um capacete com eletrodos em sua cabeça. Isto pode parecer invasivo, mas não é. Você não sente nada, mas eu consigo medir sua atividade cerebral. Eu tenho diferentes tipos de ambientes virtuais, jogos, instrumentos musicais, cenas ou lugares de aprendizado, ou tudo junto onde eu possa encontrar condições de aprendizado. E por que essa tecnologia é tão difícil de ser criada? Por que eu consigo controlar o ambiente e não consigo no mundo real?
Imagine os eletrodos colocados precisamente para analisar como um cérebro funciona. Mas, que sistema é esse? Que metodologia a gente usa para permitir esta tecnologia? É uma junção de equipamentos e programas específicos. Essa metodologia não é tão cara, mas é muito impactante. Os maiores investimentos são em algoritmos, os equipamentos e câmeras são a parte mais barata. Vários projetos e programas foram criados, alguns com a ajuda da União Europeia. Para quem conhece a série “Star Trek”, sabe como é o processo “Beaming”, é como se a gente tentasse criar vocês em Londres.
Tudo começa quando analisamos uma conversa “face to face”. Por que conversarmos face a face? Porque quando você fala face a face, a informação entre nós é mais compreensível. Apenas 10% de uma conversa é passado pelas palavras, os outros 90% vem da linguagem corporal, das sobrancelhas, olhos, boca, etc. Porque os estudos indicam que a maioria das informações são perdidas em ambientes bidimensionais, como por exemplo, o “skype”. As pessoas não reconhecem estes elementos da face. Quando você projeta em 3D, isto fica mais fácil. As pessoas tem mais dificuldade de processar as informações em 2D e muitas pesquisas estão sendo feitas sobre o estudo do cérebro em 2D e 3D. No “face to face”, até a entonação da voz, os cheiros, e as pupilas, implicam e temos evidencias que vocês percebem isso mesmo sem querer. Através da tecnologia podemos fazer esse face a face, este teletransporte.
O trabalho é projetar em meu aluno, inserindo objeto virtuais através de imagens 3D na tela. Parece que o aluno está na sua frente e você pode interagir com ele. Os óculos servem para os alunos usarem essa tecnologia 3D. Mas como o cérebro é incentivado ao aprendizado? Na Europa há hoje uma grande mudança e por isso esse processo será importante, pois as universidades serão incorporadas a outras universidades e esta tecnologia será fundamental no aprendizado à distância. A neurolinguística tem um grande papel porque essa tecnologia avança muito mais que o E-learning, o universo é muito grande para o uso. No E-learning esse projeto combina muito porque o professor parece real. Nesse ambiente temos as câmeras 3D que através de uma nuvem de pontos converte a imagem para o “face to face”. E por que o “face to face” é tão importante? Porque a imitação é a alma do aprendizado. A observação tende ao aprendizado. Quando você aprende a tocar piano, imita alguém. Isto chama-se neuroatividade de aprendizado espelhado. Isto cria uma memória da ação. É biológico, e só é ativado se você estiver assistindo algo feito por pessoas. Se você tiver assistindo um desenho esta memorização não existe. Descobrimos que as ativações não acontecem com objetos. Nós fizemos o teste com uma mão de madeira, sem o movimento humano e a memorização não funciona. Eu consigo usar as tecnologias para melhorar o aprendizado e a memória. A consolidação da memória não se dá logo após o aprendizado, se dá depois de 24 horas que é quando o processo da memória se consolida, após o sono. A primeira memória é no hipocampo, num processo de aumento e diminuição das ondas cerebrais que se tornam 4 a 8 vezes mais rápidas, em um movimento de oscilação. Depois de algumas horas outras áreas começam a ter mudanças também. Nesse momento há a transferência da memória do hipocampo para outras áreas, isso é o processo de transição da memória curta para a longa, enquanto dormimos. Conseguimos fazer isso sem dormir? Essa é a questão. Isto parece um pouco com “biofeedback”, mas é “neurofeedback”. Fizemos experiências com um grupo de pessoas através da colocação dos eletrodos, usando uma tela com uma borboleta. O objetivo era fazer a borboleta descer baixando a pressão. O aprendizado, usando oscilação theta do método “neurofeedback” foi muito rápido e neste caso, o objetivo foi alcançado. Depois, fizemos o mesmo teste colocando os eletrodos para medir a atividade cerebral só que pedindo para a borboleta subir. Através das ondas cerebrais da tecnologia “neurofeedback”, as pessoas memorizavam mais rápido. Na educação, a gente pode usar isso no E-Learning na forma de jogos que auxiliem a aprendizagem. Por exemplo, quando se usa 3D de um abdome, o professor pode pedir para o aluno fazer um determinado procedimento no abdome, isto aceleraria o aprendizado. É uma revolução essa maneira de consolidação da memória através da oscilação theta, porque você melhora realmente sua memória.
Alguns links que sugiro a leitura:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24211625
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301051113002214
http://yadda.icm.edu.pl/yadda/element/bwmeta1.element.elsevier-d8b5e7ce-5767-39f8-a0a8-6ecdfe2279d4
http://www.stlouisneurofeedback.com/research/neurofeedback.html
Prezados(as),
A Neurociência vem revolucionando o modo de observar a forma como o mundo conceitua as diversas teorias e as buscas do saber. Inovando nos métodos de estudos, pesquisas e interpretações…Trata-se também de um novo caminho para o a construção do conhecimento humano objetivando um aprendizado mais duradouro e eficaz. A mudança na forma de pensar e de pesquisar ajuda a definir novos caminhos para resolver velhos problemas que o planeta enfrenta. A Educação poderá receber um grande impulso com o citado desenvolvimento da Neurociência e a partir da educação poderemos todos e todas amorosamente mudar o mundo,pois a educação não muda o mundo …educação muda o homem e o homem muda o mundo.
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